1. Detalhes do cotidiano da Praça da Sé, coração central de São Paulo.

    Nas duas últimas fotos, a Caixa Cultural Sé - Centro Cultural da Caixa Econômica Federal - um belíssimo espaço para excelentes exposições e eventos que promovam as artes e a cultural em geral. Atualmente, algumas das suas principais exposições são: Fotolabor e seus famosos cartões-postais de São Paulo; Miró - um dos grandes nomes da arte espanhola; Gustavo Acosta, cubano, e suas paisagens urbanas em pinturas e desenhos.

    Localização: Entre as ruas Floriano Peixoto, Venceslau Brás e a Praça da Sé. Já bem próximo ao Pátio do Colégio e das ruas XV de Novembro e Direita. O local é servido pela famosa Estação Sé do Metrô, nas linhas 1 - Azul e 3 - Vermelha, além de diversas linhas de ônibus, incluindo trólebus, que passam em frente ao centro cultural.

    Fotos: Lucas Chiconi

     
  2. Detalhes do ostentado Jardim Europa. Lar de uma das elites mais poderosas, influentes e tradicionais de São Paulo. Colecionador de algumas das maiores e mais caras residências do país, seus imóveis podem ultrapassar as dezenas de milhões de reais. Bairro-Jardim dos mais famosos, seu urbanismo é baseado nos princípios de higiene da Garden City inglesa. Bairros intensamente arborizados, repletos de praças e cercados por grandes avenidas. 

    Fotos: Lucas Chiconi

     
  3. E quem diria que em pouco menos de cinco séculos se faria uma das maiores, mais ricas e múltiplas cidades do planeta.

    Sé, Jardim Paulista, Parque do Povo, Vila Olímpia e Vila Madalena. Alguns dos cenários mais emblemáticos da megacidade brasileira.

    Fotos: Lucas Chiconi

     
  4. Está chegando a vez dele […]

    Foto: Lucas Chiconi

     
  5. Guetos - Uma reflexão

    No estado bruto do seu significado, gueto significa grupo. Os guetos urbanos possuem uma conotação diferenciada diante da sua influência sobre a área urbana onde estão fixados, pois estão relacionados à segregação social. Em metrópoles do velho mundo, como Madrid, Paris, Roma ou Londres é perceptível que seu tecido urbano cresceu lentamente por séculos, em meio a muralhas e também divisão de grupos. A Alemanha Nazista é um dos grandes cenários dessa expressão na história da humanidade, devido à perseguição aos Judeus da época, os quais formaram o seu próprio gueto. Porém, no mundo moderno do século XX, novos guetos surgiram nas grandes cidades e são conhecidos como: favelas, condomínios, conjuntos habitacionais, subúrbios e bairros de elite. Na história do homem e dos nossos próprios sentimentos e almejos, sempre nos aproximamos daqueles e daquilo que nos causa interesse e afeição. Portanto, qual o problema em formarmos guetos? No urbanismo metropolitano essa questão se torna um pouco mais complexa, já que envolvemos milhares, milhões e por vezes, dezenas de milhões de pessoas. Em São Paulo, vemos que bairros nobres foram concebidos através de um projeto urbano e paisagístico, onde a higiene e a organização do espaço fossem primordiais. Higienópolis, Pacaembu, Jardins América e Europa, Alto da Lapa, Alto de Pinheiros e afins. Já os mais pobres eram reféns das investidas econômicas e políticas organizadas pelos poderosos capitalistas, onde foram despejados para os locais menos desejados e queridos da cidade. Com seu crescimento, estas áreas hoje se consolidaram e pertencem à classe média enriquecida e os pobres… Bom, os pobres residentes em favelas – termo que significa gueto sem planejamento e de ocupação irregular, sem o saneamento básico e infraestrutura necessárias para se viver – foram sendo retirados destas ocupações próximas do Centro, como a antiga Favela do Vergueiro (hoje, Chácara Klabin) e realocados em imensos conjuntos habitacionais populares na periferia. Foi decidido esconder a população mais carente, vide esta não ter direito à boa arquitetura, urbanismo e muito menos o direito a uma localização privilegiada na cidade. E quando se há boa localização, geralmente a moradia se dá em cortiços, salvo exceções. Foi entre as décadas de 60 e 80 que se proliferaram os conjuntos habitacionais na cidade, construídos pela COHAB e CDHU, em lugares como: Cidade Tiradentes, José Bonifácio, Engenheiro Goulart, Sapopemba, Campo Limpo, Capão Redondo, Parada de Taipas e muitos outros. O primeiro citado é o maior deles e de toda a América Latina, com mais de 40 mil unidades habitacionais. Situado no extremo leste paulistano, está a mais de 30 km do Centro, numa região desprovida de eficiente rede de transportes e empregos. Claro, morar num apartamento com água encanada e potável, o acesso a uma cama e um banheiro descente são grandes feitos, melhor, um direito. Mas não podemos dizer que essa população se desenvolveu em relação ao meio social e cultural. Elas não possuem o direito e o poder de se misturar com outras classes, a não ser com empregos serviçais, como empregadas domésticas, porteiros, lixeiros e semelhantes. Precisamos de todos eles, porém, a sociedade poderia ser um pouco mais justa e menos preconceituosa. Apesar do grande salto dessas classes na sociedade, sabemos que estes ainda sofrem humilhações e olhares bem tortos nas ruas. A ocupação urbana de Tiradentes e os projetos implantados a ela não são os ideais, mas ainda estão melhores do que em outras regiões. No Campo Limpo, por exemplo, no extremo sudoeste da metrópole, enxergamos uma enorme mescla de formas de se construir e ocupar. Uma miríade de tecidos – condomínios populares e de classe média, favelas e áreas em processo de consolidação. Apesar da presença do Metrô, parece que o inchaço populacional desta região tem uma séria dificuldade de desenvolvimento. Esta é parte da área mais desigual da sociedade paulistana: O distrito de Vila Andrade, vizinho ao Campo Limpo, abriga a Favela-bairro de Paraisópolis e o ostentado e imponente bairro do Panamby. É ai que podemos dizer que os guetos não são apenas expressos por paredes sem reboco ou de mármore carrara, esgoto a céu aberto ou grandes piscinas nas varandas. O gueto vai além da desigualdade de renda explícita, apenas uma consequência da aceleração do sistema capitalista. A separação não precisa ser sempre condenada, mas também não podemos fingir que o “lado de lá” – do mundo, do país, da cidade, do bairro, do muro ou da rua – não existe. Além disso, há todo um sistema midiático global que expõe a ideia de que ricos e pobres não podem compartilhar dos mesmos espaços, além do fato do rico ter o poder de escolha de sua moradia, se será no Jardim Paulista ou em Higienópolis, onde ele poderá se locomover a pé para o trabalho; no Tatuapé ou no Itaim Bibi, com ótima localização e infraestrutura de transportes; ou até nos condomínios suburbanos da Granja Viana, Alphaville ou Santana de Parnaíba, onde obviamente o carro será seu principal meio de locomoção. Mas o pobre, muitas vezes e infelizmente, não tem esse poder de escolha. Se não é banido pela falta de condições rentáveis para manter-se numa área privilegiada, é banido pelo preconceito. A violência está presente e sabemos que a discrepância social é uma das suas razões e precisamos lutar contra isso. Porém, não vamos julgar as diferenças sociais como se fosse algo volúvel e fácil de ser lidado. Um indivíduo acostumado a fazer suas refeições numa grande mesa, com diferentes opções de alimento, grandes festas em espaços badalados e viagens, muitas vezes não “aceita” o mais pobre e desprovido de cultura e bens materiais não apenas por não se importar, mas por medo. Medo do desconhecido e da própria amargura da sociedade humana. O mais pobre também pode ser amargo e rejeitar aqueles que possuem mais renda e seus sonhos realizados. Bom ou ruim, o gueto é um processo e faz parte da sociedade urbana e principalmente das megacidades, onde o espaço torna-se ouro e a falta dele gera guerras invisíveis. Todas as conquistas que alcançamos até hoje são louváveis de mérito, mas ‘ainda’ conviveremos por muito tempo com a eterna guerra entre Manhattan X Brooklyn, Recoleta X Villa 31, São Conrado X Rocinha, Cumballa Hill X Dharavi, Morumbi X Paraisópolis…

    Foto: Lucas Chiconi

     
  6. Camada por camada. Sobreposições. São Paulo possui uma característica intrigante, apaixonante e um tanto devastadora. A cidade se reconstruiu três vezes. Invasões bárbaras? Guerras? Jamais. A cidade colonial e insalubre foi totalmente destruída (restando apenas alguns sítios tombados como patrimônio histórico e cultural) para dar lugar a uma cidade em processo de crescimento, de características europeias, com edificações mais avantajadas e bairros repletos de mansões. Os bairros nobres dos Campos Elíseos e Higienópolis são pioneiros, sendo o majestoso Edifício Martinelli um dos marcos finais desse período. Passadas algumas décadas, a “pequena metrópole” começa mais uma nova história. Seria a era da industrialização, dos automóveis e da intensa verticalização. O Parque Dom Pedro II deixa de ser um parque de fato, outrora um dos mais elegantes da urbe, para se tornar a área mais degradada e com maior concentração de moradores de rua da megacidade do século XXI. Grandes pontes e viadutos, edifícios residenciais e a expansão dos centros financeiros de São Paulo rumo ao sudoeste são as grandes mudanças no cenário paulistano. A Avenida Paulista, antes reduto da elite cafeeira e repleta de mansões e palacetes dá lugar à um corredor de vistosos edifícios, como o Conjunto Nacional, o Nações Unidas, a FIESP, o MASP… Consagrando-se como o maior centro financeiro do Brasil e da América Latina. Por sua vez, surgem as avenidas Faria Lima e a Berrini, com uma arquitetura mais pós-moderna, sendo a última delas num tom pós contemporâneo, moldada no estilo envidraçado e internacional. Bairros nobres se degradam, novos se elitizam, favelas crescem nas periferias e tudo se transforma num grande redemoinho, numa mistura de tecidos arquitetônicos e urbanísticos. São artefatos do passado e proezas do presente que se intercalam originando o futuro.

    Fotos: Lucas Chiconi

     
  7. O charmoso Largo do Café, formado pela confluência das ruas São Bento, Álvares Penteado e do Comércio. É cercado por belos cafés, restaurantes e por nada menos que a suntuosa BM&FBOVESPA, a Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo.

    Foto: Lucas Chiconi

     
  8. Ferrovias

    Brincando com as palavras. Jogando com as histórias de passageiros inchados de expressões por estradas de ferro à libertarem-se diante de cada estação.

    Ano de 1867, era inaugurada a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. De uma engenharia exuberante, a Serra do Mar sempre se exibiu como uma das barreiras naturais mais excitantes já vistas nesse mundo. Mas entre as cidades, das mais belas do estado, estava uma não tão importante. Mais de 300 anos de várzeas de rios, planícies alagáveis e colinas verdejantes. Da mais bela serra e pico que sempre emolduraram o seu norte. A Piratininga não se apresentaria mais pela doce colina do Páteo do Colégio. A sublime e formosa Estação da Luz despontava no horizonte da periferia norte da bucólica vila, como sede da São Paulo Railway. São Paulo enriquecia, o aroma do café torrado e passado pairava no ar daquela que viria a ser uma das maiores cidades do mundo. Em 1872, a Estrada de Ferro Sorocabana teria como símbolo a magnífica Estação Júlio Prestes, quase ao lado da Estação da Luz. Isso facilitaria o transporte de mercadorias - café, claro - para o Porto de Santos. 

    - 1929, o primeiro beijo de São Paulo e Nova York. Era a quebra da Bolsa da urbe norte-americana. A era da monocultura cafeeira paulista foi quebrada, e o espírito de metrópole ocidental se despertava na alma daquela que viria ser maior que Nova York. As auto-estradas são construídas, a indústria automobilística ganha força e o transporte sob pneus ganha o apreço popular. As renomadas ferrovias se deterioram diante desta ilusão do transporte, transformando sua paisagem urbana para sempre. 

    Na primeira foto, a imponente São Caetano do Sul diante da Linha 10 - Turquesa da CPTM (antiga São Paulo Railway). A próxima, um contraste. Também da São Paulo Railway… Ops! 10 - Turquesa, junto da Favela do Cigano, em Santo André. E a última foto, a Linha 9 - Esmeralda, criada no antigo ramal de Jurubatuba, ligando Osasco, a maior cidade do oeste metropolitano, ao extremo sul de São Paulo, o Grajaú. Na foto, a intensidade da Marginal do Rio Pinheiros, da imposição do transporte sob rodas em contraste à eletricidade dos trilhos. Ao fundo, a pujança do skyline da Vila Olímpia, centro financeiro e tecnológico do sudoeste da cidade.

    Fotos: Lucas Chiconi

     
  9. Eu adoro me exibir para os outros e dizer que moro em SÃO PAULO!
    A megacidade da pujança, das belezas, das inovações, da agilidade, da moda, da gastronomia, da miscigenação das cores, dos sabores, dos aromas e encantos… De tudo. Do mundo.

    Foto: Lucas Chiconi

     
  10. Obras da Arena Corinthians (Itaquerão), palco de abertura da Copa do Mundo de 2014.

    Foto: Lucas Chiconi