1. O Diurbe - São Paulo parabeniza esta, um dos distritos mais belos e bairristas da cidade, orgulhosa de si. Da sua história, cultura, tradições, conquistas e prosperidade. Ora operária, ora duquesa, ora italiana, ora paulistana. Brasileira. Hoje é seu aniversário, parabéns Mooca! 458 anos.

    17 de Agosto de 2014.

    Fotos: Lucas Chiconi

     
  2. São Paulo é de uma complexidade urbana que vai além de todas as escalas de metropolização. É uma megacidade de 21 milhões de habitantes, centro maior de uma megalópole com população de 31 milhões. Intensamente urbanizada, sua mancha urbana é uma miríade de tecidos, cada qual com sua forma, cor, história, cultura, alturas, densidade, potencialidades e fragilidades. Com um sistema metro-ferroviário com mais de 330 km de extensão e cerca de 8 milhões de usuários por dia (população superior ao do segundo município mais populoso do país, o Rio de Janeiro), uma frota superior a 7 milhões de veículos, mais de 6 mil edifícios, milhares de favelas, centralidades locais, regionais e internacionais, os aeroportos mais movimentados do país, a maior frota de helicópteros do mundo, 31 subprefeituras e 96 distritos, entenda: São Paulo é uma cidade incrível e maravilhosa nos mais diversos aspectos, porém, também é uma grande selva de pedra onde muitas das fragilidades sociais, ambientais e urbanas se expressam da forma mais crédula e a sangue frio. Nós, paulistanos, precisamos de pequenas regras que fazem toda a diferença no momento de se locomover por este, que é um dos maiores formigueiros humanos da Terra. O andar apressado do paulistano é uma característica marcante, pois muitos de nós percorrem imensas distâncias todos os dias, portanto, há um desgaste físico e emocional grande. Pessoas de outras cidades e estados não compreendem o nosso estilo de vida e peço que respeitem; nos conheçam antes de agir com preconceito. Vivemos num ambiente único no país, visto que não há outro núcleo urbano deste porte nessa nação. Cada megacidade é dotada de características únicas e precisam de diretrizes específicas de convivência em seu espaço. Por mais que essa escala urbana, e principalmente São Paulo sempre seja taxada de ‘caótica’ devido aos milhares ou até milhões de conflitos que participamos no cotidiano, temos nossas próprias regras e hábitos culturais de respeito e convivência. Contudo, quando isso é quebrado e a coisa toda vai parar fora do eixo central, a guerra está feita e bem armada. Porém, cabe apenas a nós, paulistanos, julgar o que é ou não inconveniente, estressante, prazeroso e amável diante de nossas vidas, a cada dia, a cada segundo. Tempo é dinheiro, cultura, estudos, saúde, lazer e não podemos perder tempo.

    Foto: Lucas Chiconi

     
  3. Vista dos edifícios do Vale do Anhangabaú à partir da passarela do Terminal Bandeira - Estação Anhangabaú da Linha 3 - Vermelha do Metrô.

    Foto: Lucas Chiconi

     
  4. Diálogo entre patricinhas da elite paulistana:

    Morumbi: Disseram que a festa é lá na Zona… Leste?!
    Jardim América: Tem certeza? Se for lá eu não vou! Só dá maloqueiro.
    Jardim Paulista: Pensei que fosse na Avenida Europa. Seria bom, pois assim eu só desço a Augusta.
    Higienópolis: Ai credo! Zona LOST. Zona LOSER. Zona POBRE! Tenho nojo.
    Itaim Bibi: Só cruzo rio para ir no Morumbi… Não me inventem de pegar a Radial… Argh!
    Morumbi: Já me basta Paraisópolis…
    Higienópolis: HA-HA. E esses cortiços de Santa Cecília? Ainda me dizem que vivem aqui em HIGI. Só que não!
    Jardim Europa: Do que vocês estão falando?
    Perdizes: Tenho mais o que fazer, gente… Nem vou.
    Vila Nova Conceição: Perdizes, o que faz aqui? HIGI: rála, sua mandada! HAHAHA. ZONA LESTE? O que é isso?
    —————————
    Jardim Anália Franco: Beijo no ombro procês!
    Alto de Santana: Bora pro bar, amiga!
    Jardim Anália Franco: Jordão?
    Alto de Santana: Fechou!

    Na foto, arranha-céus do Jardim Anália Franco, na Zona Leste da cidade.

    PS: Levem na esportiva! Toda brincadeira é bem-vinda.

    Foto: Lucas Chiconi

     
  5. Detalhes do Terminal Intermodal de Pinheiros e seu majestoso entorno urbano.

    Fotos: Lucas Chiconi

     
  6. Mais uma vitória para os ciclistas de São Paulo!

    Cada vez mais o ano de 2014 tem se tornado o momento das discussões, acontecimentos e vitórias para a mobilidade sustentável. Dia 02 de Agosto foi inaugurado no Largo da Batata, em Pinheiros, Zona Oeste, um bicicletário com 24 horas de funcionamento. São 100 vagas disponíveis e o equipamento está instalado ao lado de uma das saídas da Estação Faria Lima da Linha 4 - Amarela do Metrô. O projeto foi elaborado pela prefeitura e discutido com cicloativistas, moradores, trabalhadores e usuários da região. Sua gestão é do Itaú durante 36 meses e quem tiver interesse em utilizar o espaço - para bicicletas pessoais e não do sistema de empréstimo - é só comparecer ao local para a realização de um cadastro. Além disso, a floricultura Ecoflores foi inaugurada e funcionará junto ao bicicletário.

    É mais uma integração entre os modais de transporte sustentáveis, priorizando o coletivo e não poluente.

    Fotos: Lucas Chiconi

     
  7. Gigante da Zona Leste!

    Situado no coração da Zona Leste, no distrito do Parque do Carmo - entre as regiões de Itaquera e Aricanduva - o Parque Natural Municipal do Carmo é a maior mancha de vegetação da Zona Leste de São Paulo e ocupa o primeiro lugar dentro os maiores parques urbanos do município. A questão é que toda essa área possui classificações diferentes. O parque urbano, do qual a população pode usufruir, está entre os maiores, ao lado do Anhanguera, na Zona Norte, e Ibirapuera, na Zona Sul. Porém, ao redor deste há uma enorme APA (Área de Proteção Ambiental) de extrema importância, visto que está em meio a região paulistana mais populosa, ocasionando uma alta densidade urbana. Democrático, ao seu redor estão bairros de classe média, baixa, algumas favelas e o nobre Jardim Nossa Senhora do Carmo. Loteado na década de 1960, está entre os mais nobres da Zona Leste, dotado de residências de médio e grande porte, com um charme especial que remete à tranquilidade local. Apesar do Ibirapuera ser o parque mais famosos de São Paulo e ter sido classificado recentemente como um dos dez melhores parques do mundo, o Parque do Carmo não deve em nada ao irmão no que remete a sua natureza exuberante, imenso lago e equipamentos culturais, como o Planetário do Carmo e sua altíssima tecnologia. É o mais moderno da América Latina e do Hemisfério Sul do mundo, com exemplares similares apenas na Europa e Nova York. Além disso, o SESC Itaquera logo ao lado do parque. Porém, no auge do tradicional inverno paulistano é aqui, no Parque do Carmo, que os olhos de todos se voltam: O Festival das Cerejeiras! A Liberdade, no Centro, é a maior colônia japonesa do mundo fora do Japão, mas Itaquera também abriga uma importante comunidade dessa nacionalidade. Com isso, o parque abriga a segunda maior plantação - 200 hectares - de cerejeiras do mundo, atrás apenas de Washington D.C., nos Estados Unidos. O rosa suave de suas pétalas colore o nosso inverno, encanta e nos faz sonhar… A florada, que dura apenas duas semanas, são o centro de um festival que reúne música e comidas típicas da cultura japonesa. As cerejeiras e seu respectivo festival ocorrem em São Paulo graças ao imigrante Hisayoshi Kataoka, que trouxe 1.500 mudas do Japão em 1978. Sua próxima edição é em 2015 e será o 37º. Não percam! rs.

    Parque do Carmo - Itaquera, Zona Leste - SP.

    A Estação Corinthians-Itaquera da Linha 3 - Vermelha do Metrô (integrada com a estação homônima da CPTM) está cerca de três (03) quilômetros do parque e possuem diversas linhas de ônibus municipais e intermunicipais que acessam o local. A Estação Dom Bosco, da Linha Coral da CPTM também está nas proximidades.
    Acesso também pelas Avenidas Aricanduva, Afonso de Sampaio e Sousa e Itaquera.

    Fotos: Lucas Chiconi

     
  8. Vamos prezar pela democracia no transporte. Mas em tempos de crise ambiental, precisamos priorizar o coletivo e de preferência, o sustentável.

    Foto: Lucas Chiconi

     
  9. Hoje, conversando com uma amiga da faculdade via whatsapp…

    Algo que acho muito importante para lidar com o urbanismo: Não existe o acerto e o errado. Existe o adaptável. O certo e o errado para aquele determinado lugar. Não podemos tratar as cidades como Disneylândias. As cidades são feitas de pessoas, portanto são organismos vivos.

    Foto: Lucas Chiconi

     
  10. Paisagem urbana

    É a paisagem das cidades. Megacidades, possuem dezenas, centenas, milhares de paisagens. Pujantes, degradadas, majestosas, históricas, densas, espaçadas, verticais, horizontais, naturais, favelizadas, industriais, pacatas, agitadas, diurnas, noturnas. São diversas as faces das grandes cidades do mundo, formadas por um conjunto de situações e soluções atribuídas à si mesmas. A conservação ou transformação desses cenários está sempre de acordo ou desacordo com necessidades, investimentos imobiliários e especulação. Há departamentos públicos especializados e responsáveis por essa conservação, ligada ao patrimônio histórico de uma cidade. De uma sociedade. Em São Paulo, bairros inteiros são tombados, como Pacaembu, Jardins América e Europa, Alto da Lapa, Alto de Pinheiros, entre outros. São as famosas ZER’s (Zonas Exclusivamente Residenciais), planejadas e urbanizadas pela Cia City no século XX, tiveram seu urbanismo baseado nos conceitos da cidade-jardim, priorizando uma intensa arborização nas suas vias e praças. Portanto, são importantes e incontestáveis pulmões para a metrópole. 

    Sabemos que foi a industrialização a responsável pelo crescimento, enriquecimento e degradação das cidades. Interessante notar como um mesmo uso pode ser contraditório, levando uma cidade ao seu auge econômico e também a intensa degradação ambiental e urbana. E é nesse ponto que entra o planejamento e o desenvolvimento urbano, criando diretrizes para que este uso, gerador de tantos empregos e personalidade para a economia nacional, favoreça o espaço urbano e se integre de forma positiva ao seu entorno. Quando as indústrias surgiram na cidade, devido à sua alta emissão de poluentes, foram construídas na periferia, ao redor do núcleo urbano. Brás, Mooca, Barra Funda, Lapa e os arredores dos rios Tietê, Tamanduateí e Pinheiros formam foram estas localidades. Até hoje são importantes zonas industriais da metrópole. Porém, com o crescimento da área urbana, estas áreas deixaram de ser a periferia e atualmente estão cercadas por dezenas de bairros prósperos e valorizados pelo mercado imobiliário, devido sua localização central diante das dimensões da megacidade. A gentrificação é comum nessas áreas - processo de enobrecimento de antigas regiões desvalorizadas e socialmente fragilizadas. As vilas operárias, parte fundamental da urbanização e das habitações paulistanas, são integrantes do nosso legado e patrimônio histórico. A paisagem urbana dessas áreas está caracterizada por casarios baixos com a tipologia de sobrados geminados - hoje, lar da influente classe-média paulistana - intercalados a imensos skylines de edifícios residenciais e comerciais de médio e alto padrão. No caso das regiões da Mooca e da Barra Funda (centro-leste e centro-oeste), possuem linhas férreas históricas, hoje parte da CPTM, determinando um aspecto importante, intrigante e também tema de divergentes debates urbanos, arquitetônicos e do investimento privado, afim de decidir o futuro dessas áreas muito bem localizadas, mas parcialmente subutilizadas. Assim como as favelas, seja na periferia ou em bairros consolidados, também são geradores de polêmica social, ambiental e econômicas. No Morumbi e Vila Andrade, o mercado imobiliário cerca a imensa Paraisópolis com grandes edifícios da elite da região, escancarando a eterna guerra da sociedade paulistana muito característica dessa região, classificada como a mais desigual da metrópole. Do sudoeste para o sudeste, Heliópolis contraste com a prosperidade da vizinha São Caetano do Sul, mas se vangloria pela localização privilegiada, próxima ao Metrô, CPTM e  com fácil acesso ao Centro. Seus conjuntos habitacionais, antigos e novos, já são parte do seu cenário de transformação e renovação urbana. As favelas são espaços orgânicos e espontâneos, com um potencial de transformação maior e mais ágil que outros assentamentos - regulares - das cidades. 

    Nas fotos, o polêmico Morumbi, um dos bairros mais ricos do Brasil, também está entre os mais arborizados de São Paulo, abrigando mansões milionárias e o Complexo Cidade Jardim. Este é formado por torres residências, corporativas e um dos shoppings mais sofisticados do país. Sua paisagem urbana é caracterizada por mini-palácios do século XX e XXI, dotados de grandes lotes e espaços amplos, entre uma densa vegetação. O Jockey Club é um dos seus símbolos de elite, o qual abriga, não apenas corridas de cavalos, mas grandes eventos como a Casa Cor de São Paulo. Na outra, o Alto da Mooca e a Vila Regente Feijó - atualmente conhecida por Jardim Anália Franco - são o centro da região mais próspera da Zona Leste paulistana. Região formada pela tipologia de sobrados geminados e vilas operárias, agora está entre as localidades que mais enriquecem na cidade e se tornou famosa pelos seus imensos e luxuosos arranha-céus residenciais. O protagonista por sua valorização imobiliária é o Shopping Anália Franco, da rede Multiplan, inaugurado no final de 1999. Após isso, a região deixa o posto de mera localidade proletária e passa a estar entre as principais elites da metrópole. Diferente do Morumbi e Vila Andrade, não é intensamente arborizada, mas também não possui grandes discrepâncias sociais, mantendo uma grande homogeneidade social e econômica.

    Ainda abordarei mais esse tema durante a semana, mas deixo algumas questões: Até que ponto devemos preservar nosso patrimônio? O que é patrimônio histórico? Até que ponto o mercado imobiliário é um vilão? Existe um equilíbrio entre as partes?

    Fotos: Lucas Chiconi